Uma nova tarifa antidumping sobre importações de cabos e fibras ópticas originárias da China começou a valer recentemente no Brasil e já provoca aumento nos preços dos produtos entre fornecedores nacionais. A medida, aplicada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), tem como objetivo declarado proteger a indústria doméstica da concorrência considerada desleal.
As tarifas foram decretadas após uma investigação que identificou a venda de fibra óptica e cabos chineses a preços considerados abaixo do valor justo de mercado, prática conhecida como dumping. A partir da medida, cabos de fibra óptica e fibras monomodo importados da China passam a ter direitos antidumping adicionais, que se somam ao imposto de importação tradicional, gerando uma nova camada de custo para essas mercadorias.
Entre os efeitos imediatos, fabricantes e distribuidores de insumos de telecomunicações já registraram elevação significativa no preço de fibras ópticas e cabos importados da China, que antes respondiam por grande parte da oferta no mercado brasileiro. Para muitas empresas, o reajuste pode significar maior custo de aquisição desses insumos, e o setor alerta que isso pode se refletir no preço cobrado pelo serviço de internet no país nos próximos meses.
Entidades representativas de provedores e empresas de infraestrutura de redes, como a TelComp e a Abramulti, afirmam que o encarecimento dos insumos ameaça a competitividade de pequenos e médios provedores de internet, especialmente em regiões onde a instalação de redes de fibra óptica já era financeiramente mais desafiadora.
O governo, por sua vez, defende a tarifa antidumping como instrumento legítimo de defesa comercial, destinado a corrigir práticas comerciais injustas e proteger a produção nacional. A tarifa entrou em vigor no final de 2025 e deve permanecer ativa por até cinco anos, prazo durante o qual importadores brasileiros precisarão recolher as alíquotas antidumping acrescidas ao valor da importação.
Especialistas em comércio exterior ressaltam que, embora a proteção da indústria nacional seja um objetivo legítimo, a medida pode ter efeitos colaterais negativos no usuário final, que depende da expansão de redes de fibra óptica para acesso à internet de alta velocidade. O equilíbrio entre proteção industrial e promoção de conectividade será um dos temas centrais de debate entre empresas, órgãos reguladores e formuladores de política econômica ao longo dos próximos meses.
📡 Redação MundoTelebr – Tecnologia, Negócios e Conectividade



